Arquivo para novembro 2009

O Fascismo Eterno

27/11/2009

por Umberto Eco, publicado na Agência Carta Maior em 19/11/2009

A lição de Umberto Eco contra o fascismo eterno

Em 1942, com a idade de dez anos, ganhei o prêmio nos Ludi Juveniles (um concurso com livre participação obrigatória para jovens fascistas italianos – o que vale dizer, para todos os jovens italianos). Tinha trabalhado com virtuosismo retórico sobre o tema: “Devemos morrer pela glória de Mussolini e pelo destino imortal da Itália?” Minha resposta foi afirmativa. Eu era um garoto esperto.

Depois, em 1943, descobri o significado da palavra “liberdade”. Contarei esta história no fim do meu discurso. Naquele momento, “liberdade” ainda não significava “liberação”.

Passei dois dos meus primeiros anos entre SS, fascistas e resistentes, que disparavam uns nos outros, e aprendi a esquivar-me das balas. Não foi mau exercício.

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Carta aberta de Bernard-Henri Lévy ao presidente Lula sobre Battisti

26/11/2009

por Bernard-Henri Lévy*, publicada na Folha de São Paulo em 25/11/2009

PREZADO presidente Lula, Sei bem que o debate sobre o caso Cesare Battisti, antigo militante dos Proletários Armados pelo Comunismo, acusado de atos de terrorismo na Itália dos anos 70, tem despertado paixões no seu país.

Também sei que o jogo das instituições brasileiras, o esgotamento dos procedimentos previstos na sua democracia e a decisão apertada a favor da extradição, tomada pelo Supremo Tribunal Federal após longo julgamento, fazem com que agora caiba ao senhor, e ao senhor apenas, o poder de decidir se esse antigo militante, que se tornou um escritor de sucesso, deve ou não ser entregue à Itália.

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Entrevista de Tarso Genro para a Carta Maior

24/11/2009

“Judiciário não pode capturar prerrogativas do Executivo”

por Maro Aurélio Weissheimer

Em entrevista à Carta Maior, o ministro da Justiça, Tarso Genro, fala sobre o caso Battisti e suas repercussões políticas. Para ele, esse debate vai além de questões técnicas sobre a extradição, envolvendo visões diferentes sobre a democracia, o Estado de Direito e a Soberania. Tarso Genro critica a tentativa de alguns juízes do STF de avançar sobre prerrogativas do Executivo e estranha o silêncio na mídia sobre os precedentes existentes no Supremo, que apóiam a decisão contrária à extradição, e também sobre outras concessões de refúgio feitas pelo Ministério da Justiça, como as dadas a dezenas de bolivianos, ligados à oposição de direita, que realizaram ações armadas contra o governo Evo Morales.

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ESPECIAL CASO BATTISTI

22/11/2009

por Leitura Global

Selecionamos neste especial alguns dos principais artigos, entrevistas e documentos publicados nos últimos meses a respeito do caso Battisti. Iniciamos pelo despacho do Ministro da Justiça, Tarso Genro, no qual é concedida a Cesare Battisti a condição de Refugiado Político.

1. Despacho do Ministro da Justiça concedendo Refúgio a Cesare Battisti

2. Abaixo-Assinado de apoio à concessão de Refúgio

3. Artigo do eminente jurista Dalmo Dallari em defesa da decisão do Ministro Tarso Genro

4. Artigo de Daniel Aarão Reis, professor de História da Universidade Federal Fluminense

5. Entrevista de Tarso Genro à TV Estadão

6. Artigo de Leonardo Attuch, publicado na revista “Isto É”

7. Carta de apoio de renomados intelectuais e juristas

8. Entrevista do Ministro do STF, Marco Aurélio Mello, à Terra Magazine

9. Artigo de Renato Zerbini Leão, sobre a Lei 9.474/97 (Lei do Refúgio)

10. Artigo do Jornalista Mauro Santayana, Jornal do Brasil

11. Reflexões do Advogado de Battisti

12. Mirar Battisti, Acertar a multidão, por Giuseppe Cocco

Voto decisivo contra Battisti ficou às claras

por Maria Inês Nassif, publicado no jornal Valor Econômico em 19/11/2009

Caso Battisti marca o auge de uma escalada "autonomista" do STF

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao pedido de extradição do ex-militante da esquerda armada Cesare Battisti, feito pelo governo italiano, marca o auge de uma escalada “autonomista” do tribunal, entendida não como exercício de autonomia na decisão judiciária em relação a pressões externas contra liberdades individuais e coletivas, mas como o exercício de um poder de Justiça que se sobrepõe aos demais poderes constituídos. O voto do ministro Marco Aurélio Mello, que na semana passada empatou a votação do plenário – desempatada ontem, contra Battisti, pelo voto do presidente do tribunal, Gilmar Mendes -, é um alerta sobre essa escalada. Para Mello, a invasão do STF à seara do governo federal, em uma decisão sobre política externa, remete “à pior ditadura, a do Judiciário”, porque é uma ação inconstitucional praticada pelo tribunal cuja maior prerrogativa constitucional é a de zelar pela Carta Magna.

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O hipnotizador

19/11/2009

por Boaventura de Souza Santos

Obama: de onde provêem seus poderes hipnóticos?

A hipnose é um estado psíquico, induzido artificialmente, em que o hipnotizado, numa condição semelhante à de transe, fica altamente sujeito à influência do hipnotizador. O estado de concentração hipnótica filtra a informação de modo a que ela coincida com as directivas recebidas. Estas, por sua vez, podem trazer à consciência do hipnotizado memórias por ele suprimidas. A hipnose pode conduzir a actos destrutivos para o próprio ou para outros e, passado o seu efeito, o contacto com a realidade pode ser penoso. O mundo (não todo, mas uma boa parte) vive hoje em estado de hipnose e o hipnotizador é Barack Obama (BO). A hipnose consiste numa mudança radical de percepção sobre o que se passa no mundo sem que na realidade haja razões para sustentar tal mudança. Em que consiste a mudança e donde provêm os poderes hipnóticos de Obama? O que se passará quando o estado de hipnose desvanecer?

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SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

18/11/2009

A grande mídia e a desigualdade racial

Pesquisa do Observatório Brasileiro de Mídia revela posicionamento contrário de grandes revistas e jornais brasileiros em relação aos principais pontos da agenda de interesse da população afrodescendente (ações afirmativas, cotas, Estatuto da Igualdade Racial e demarcação de terras quilombolas).

 por Venício Lima*

O “Dia da Consciência Negra” é comemorado em todo o país na data em que Zumbi – o herói principal da resistência simbolizada pelo quilombo de Palmares – foi morto, 314 anos atrás: 20 de novembro de 1695. Muitas revoltas, fugas e quilombos aconteceram antes da Abolição em 1888.

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Besouro, um herói brasileiro

16/11/2009

por Vinicius Wu

Foto: Christian Cravo

O filme mostra a cultura negra com respeito e reverência

Besouro não é um filme para se ver como outros. O longa metragem de João Daniel Tikhomiroff nem precisava contar com sua bela direção de arte e com a atuação cheia de brilho de jovens atores – como Jéssica Barbosa – para se tornar memorável. Deixarei a análise do filme para a crítica especializada. O filme é um marco – símbolo de um país que começa a reencontrar-se com sua história. É isto o que faz de “Besouro” um dos mais importantes produtos da indústria cinematográfica brasileira nos últimos tempos.

O filme baseado no livro Feijoada no Paraíso, de Marco Carvalho, contou com um orçamento nada modesto para os padrões brasileiros. E, desta forma, pôde lançar mão de recursos dignos de uma grande produção. O chinês Huen Chiu Ku – que trabalhou em filmes como Matrix, O Tigre e o Dragão e Kill Bill – foi o responsável pela coreografia das lutas registradas no filme. O herói negro salta, voa e é forte como qualquer herói de Hollywood.

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